GERAÇÕES CONECTADAS

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*Produtora e Repórter

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Rede de esgoto é problema para moradores na Nova São Carlos

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Texto escrito para a disciplina de Redação jornalística ministrada pelo professor Marques Leonam

O saneamento básico ainda é problema para os moradores da Nova São Carlos, na Lomba do Pinheiro. As redes existentes têm de ser refeitas e novas devem ser construídas, o que facilitaria o escoamento das chuvas, que ultimamente vem alagando casas. Para a vice-presidente da associação de moradores Denise Pereira da Rosa,o empurra-empurra entre o DEP e o DMAE dificulta a solução do problema.

No orçamento participativo deste ano a comunidade ganhou o assoreamento do Arroio Tiririca. Contudo, para a presidente da associação de moradores Teresinha Beatriz Medeiros “o assoreamento do arroio certamente não irá ser feito, pois não há condições para o trabalho,já que no local se encontra muito lixo e foram construídas casas irregulares”.

Teresinha salientou que grande parte do problema com esgoto vem de acessos que foram feitos sem regulamentação. O descaso de alguns moradores com o lixo acaba deixando o escoamento de água muito mais difícil, porque trancam as bocas de lobo.

A história da comunidade que lutou por seus direitos

A Nova São Carlos, removida para a Lomba do Pinheiro no início da década de 1980 e não dispunha de nenhuma condição de vida. Não havia água encanada, nem redes de esgoto e a energia elétrica era precária.
No final dos anos 80 e início dos anos de 1990 os moradores fizeram barricadas para protestar contra as más condições de vida que tinham. Terezinha Medeiros lembra que “foram eles os primeiros a fazer aquele tipo de protesto no bairro”. No primeiro momento conseguiram a água encanada, depois o esgoto cloacal e fluvial.

Porém, mesmo depois de 20 anos, o esgoto ainda é problema, já que a comunidade cresceu muito durante esse período. Um censo realizado pela associação estima que há no local mais ou menos 2500 moradores.

Este texto foi escrito no 1º semetre de 2010, ou seja, quendo eu estava cursando o 4º semestre. Quem avaliou foi oprofessor Leonam,um dos mais fofos da Famecos.

No Mapa a localização da comunidade e os serviços oferecidos no Bairro.

A música modificadora de destinos

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Reportagem escrita para a disciplina de Jornalismo e Literatura, em 2011.

ONG destinada à promoção da leitura monta escola de música e terá alunos prestando vestibular na UFRGS

Orquestra em apresentação no Museu Érico Veríssimo/ Foto:  Foto Guga Marques-CEEE

Orquestra em apresentação no Museu Érico Veríssimo/ Foto: Foto Guga Marques-CEEE

Na entrada principal do Instituto Popular de Arte-Educação (IPDAE)um caminho de pedras desenha uma curva até a parte mais baixa do terreno. Ao lado deste caminho árvores, jardim e banquinhos à espera de alguém que sente neles para curtir o ambiente. Pelo caminho seres infantis e uns um pouco maiores, que com suas delicadas mãos juvenis seguram instrumentos musicais. Tiram deles notas e mais notas, algumas belíssimas outras um tanto desafinadas. Esses jovens fazem parte das duas orquestras do instituto e tiveram suas vidas modificadas. Agora possuem a esperança de um futuro digno de uma estrela.

O IPDAE foi fundado em 1998, pela atual diretora executiva Fátima Flores. É uma ONG filantrópica e tem por objetivo integrar a comunidade, da Lomba do Pinheiro às artes, a história e à música erudita. Tendo também como foco a leitura, já que possui desde a sua fundação uma biblioteca. Em 2006 o instituto criou a Orquestra Infanto-Juvenil, que originou a atual Orquestra Jovem. No último dia 3 de novembro, um grupo de 40 crianças e adolescentes deram origem a uma nova filarmônica Infanto-Juvenil.

Fátima lembrou que no início havia apenas a biblioteca e algumas oficinas de teatro que acabaram não dando certo.  “Parceiros foram chegando aos pouquinhos e foi a partir daí que começamos o projeto musical.” Salientou.

A diretora falou que, ao criar o instituto queria que as pessoas, principalmente os jovens, “pudessem alterar suas expectativas de vida”, não indo para mundo do crime. O IPDAE vive de doações feitas por grandes instituições e de pessoas físicas. A única coisa pedida aos alunos é que levem, uma vez por mês, produtos de limpeza para a manutenção da higiene do ambiente.

A ONG já possui um terreno para a construção de uma nova sede para a biblioteca. Esse local irá facilitar o desenvolvimento das aulas de música, pois terá salas mais amplas, coisa que a atual sede, alugada, não possui.  Fátima enfatizou que para o novo espaço sair de vez do papel faltam recursos financeiros.

A professora de Música e responsável pelo funcionamento da escola, Rosângela dos Santos, disse que apesar da nova sede não ser a ideal para esse tipo de trabalho, será melhor por causa do espaço físico. Rosângela explicou que a escola de música surgiu em outubro de 2007, após pensarem em um projeto como um todo e já haver a orquestra.  “Antes existiam apenas oficinas, que não aconteciam de forma regular”.  A professora falou que quando entrou na instituição, a direção procurava alguém para dar aulas de violino há quase um ano.

A escola de musica surgiu a partir da montagem do primeiro grupo filarmônico. Era necessário que os alunos tivessem uma base e saíssem do IPDAE preparados. Foi Rosângela que montou o projeto pedagógico.  Ela explicou que o curso tem duração total de oito anos, dividido por programas semestrais. “São três níveis de ensino que focam coisas diferentes”, salientou.  A primeira e a segunda etapa têm a duração de três anos, sendo o foco na teoria e percepção e no canto coral. No último nível, o principal, o foco é o instrumento e a preparação para o vestibular.

Assim como qualquer escola, os alunos passam por avaliações e por uma banca a cada final de semestre.  Todos passam por essa avaliação, até mesmo os pequenos. Rosângela disse que a avaliação faz com que o aluno “leve o trabalho a sério” e também se “prepare para as diversas provas que irão fazer no futuro”, quando se tornarem profissionais.  A professora ainda falou que para a escola falta o registro, mas a direção do instituto já está finalizando o processo de obtenção dos documentos necessários.

De acordo com o rendimento do aluno, ele pode levar o instrumento para a casa para praticar. Ao total são 180 alunos inscritos. Só no ano passado, a então Orquestra Infanto-Juvenil apresentou-se em 25 cidades do Estado.

Das aulas no IPDAE às aulas da UFRGS&lt

Os irmãos Priscila e Thiago de Souza Pinto, ambos de 18 anos, concluíram o Ensino Médio em 2009 e compartilham o mesmo sonho, entrar na UFRGS. Há um ano eles estão estudando para o vestibular e para a prova prática.  Priscila explicou que não irão fazer a prova este ano, porque ainda não estão suficientemente preparados. “Ainda temos que estudar e praticar muito, não podemos fazer feio”.

Rafael dos Santos Marques e Luciano Gularte Corrêa, os dois com 17 anos, pretendem seguir os passos dos amigos e fazer vestibular a daqui dois anos. “Quero ser professor”, disse Rafael. Os quatro pretendem tocar em outras orquestras, mas só se surgir a oportunidade. Todos gostam muito do instituto e preferem não pensar como vai ser o dia que terão de sair.

Naiara M. Assis da Silva, 16 anos, pretende viver de música. Ela estuda no 1º ano do Ensino Médio e já se prepara para virar professora de música.  Está no IPDAE há seis anos e há quatro toca na orquestra. Como toca flauta doce quer seguir carreira solo, já que raramente as sinfônicas possuem músicos que toquem esse tipo de instrumento. Explicou que “em geral quando há e porque o artista foi convidado”.  Naiara é monitora na escola, e auxilia os alunos iniciantes que apresentam dificuldades.

Diferente dos demais colegas, Mariany Barbosa Pereira, 13 anos, quer seguir a carreira na música erudita, mas também quer participar de alguma banda mais popular. Além de tocar violoncelo, ela também toca violão.

A tecnologia a serviço do homem do campo

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Rastrear os bovinos é a melhor forma de manter a qualidade do produto brasileiro

A tecnologia está cada dia mais a serviço do homem do campo. Uma plataforma on-line está sendo testada e vai unificar os dados de sanidade animal dos produtores, frigoríficos e vigilância sanitária, tudo para facilitar a exportação da carne brasileira. Neste ponto ainda, chips de rastreabilidade estão sendo fabricados no Rio Grande do Sul dentro dos padrões do gado nacional e logo prontos para a venda.

O chip do boi está sendo desenvolvido pela empresa Ceitec S.A, encontra-se nos últimos testes e ficará apto para a comercialização em 2011. Valquiria Studier Guedes, analista de marketing da empresa, falou que o chip está na fase final da implantação e certificação, sendo que a Ceitec será a única na América Latina a desenvolver esse tipo de material, colocando o Brasil entre os principais países no mundo no desenvolvimento de microeletrônica. “Ele está sendo criado para a pecuária brasileira e atende as suas necessidades”, salienta Valquiria.

O Chip do Boi permite a rastreabilidade das informações sobre os animais de forma eletrônica, eliminando qualquer fator de erro humano na coleta de dados do rebanho. O brinco com o chip acoplado funciona como uma identidade eletrônica do boi e seus dados (como vacinas, nascimento e manejo) fiquem armazenados no sistema desenvolvido para o rastreamento. A analista disse que todos esses dados ficam guardados em um software utilizado na fazenda e podem ser lidos mesmo com o gado em movimento, já que contidos no brinco são enviados para o software por Bluetooth, Wi-Fi ou cabo. Também podem ser lidos através de um leitor ou de um porta/leitor.

Valquiria lembra que quando se iniciaram os testes do chip do boi em Minas Gerais, em novembro do ano passado, houve uma grande repercussão na mídia especializada internacional. Enfatizou que “o evento foi noticiado em sites como Meat Trade News, The Beef Site, The Cattle, RFID Monthly e outros que destacaram a tecnologia utilizada no produto e o quanto o uso desta poderia aprimorar os processos de controle e rastreabilidade do rebanho brasileiro”. Segundo esses veículos o chip é fundamental para a garantia da procedência da carne brasileira.

O foco comercial da Ceitec é o mercado interno, pois o produto se adéqua as necessidades do nosso clima, é mais robusto, porque o gado (principalmente o gaúcho) é criado em campo aberto e também vai ser atendido diretamente pelas equipes da empresa. O valor também contará, pois será menor em relação ao produto externo.

Os chips utilizam o que há de melhor na tecnologia. São produzidos a partir de wafers de seis polegadas de diâmetro. O processo produtivo da fábrica se inicia com os wafers, que são lâminas de silício (um material semicondutor), e termina com a impressão em processos fotoquímicos. Cada um é fruto de uma demanda de 200 etapas diferentes, desde a difusão dos wafers em fornos até a aplicação de íons sobre o chip para a alteração de suas características de condutibilidade. O chip desenvolvido pela Ceitec está dentro de uma cápsula em formato de brinco. Contém todos os dados exigidos para a venda e exportação do gado.

Valquiria Studier Guedes explica que cada circuito integrado e gravado nas lâminas de silício tem a espessura centenas de vezes mais fina que um fio de cabelo. Por isso, desde o design até a sua fabricação e teste, é aplicada alta tecnologia, nunca vista antes no País.

O consultor da Farsul, Fernando Adauto, tornou clara a importância do rastreamento bovino para a produção: “Desde 1990 a Europa começou a exigir que seus produtores rastreassem o gado para controlar a doença da vaca louca. Em 1996 essa obrigação passou a valer também para os fornecedores”.

Adauto explicou que após essa obrigatoriedade o número de exportação caiu. Antes cerca de duas mil propriedades gaúchas eram exportadoras, agora elas totalizam apenas 130. A União Européia depois do surto da doença começou a investir na pecuária, até então escassa. Como aumento do comércio interno os governos começaram a financiar o produtor e não mais a propriedade. Assim passou a obrigar os seus abastecedores de carne a se adequar as normas de sanidade animal adotada por eles.

O programa de rastreabilidade animal do Ministério da Agricultura já teve mais de 30 mudanças, o que segundo o consultor da Farsul atrapalhou nas vendas para o exterior. Foi por causa destas mudanças e dos laudos das inspeções veterinárias que houve uma auditoria por parte do Ministério e da Secretária de Agricultura na legislação. As propriedades só podem ser exportadoras depois de receberem o aval europeu, a partir do organismo três. O Brasil conta com nove estados que produzem gado de corte para venda na União Européia.

Pela nova legislação o brinco com chip acoplado vai ser obrigatório para as fazendas com mais de cinco mil animais. A utilização desse tipo de rastreabilidade está sendo testada em bovinos criados em confinamento. Esse sistema é mais garantido do que os já existentes. Tanto o brinco óptico com números e o brinco com o código de barras muitas vezes atrapalhavam a leitura da numeração que causava problemas na obtenção de informações.

Fernando Adauto, também é representante na comissão técnica da SISBOV (Serviço de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos), que consiste na certificação de uma série de ações para garantir a origem, a sanidade e a segurança do alimento proveniente do gado brasileiro. A partir do sistema, é possível fazer a rastreabilidade da cadeia da carne, desde o campo até o frigorífico, garantindo a qualidade do produto para o comprador.

O consultor informou que estão prestes a colocar no ar uma plataforma on-line que vai unificar os dados da secretária da agricultura, da SISBOV e da inspeção veterinária (produtores, frigoríficos e vigilância sanitária). O projeto já foi concluído e depende de algumas mudanças no sistema de defesa. Foi baseado na inspetoria veterinária, que por vezes fornecia dados que não batia com os da SISBOV. Adauto disse que “as inspetorias informatizadas já atingem 96% o que aumenta a expectativa dos produtores em relação à automatização e o aumento das vendas para o mercado internacional”. A plataforma funcionará totalmente on-line e está em fase de testes.

O Fernando Adauto garantiu que o brinco com chip é melhor em relação aos outros dois tipos de rastreadores informatizados. O que vai por baixo da pele do animal, pode caminhar pelo corpo e causar alguns problemas, já o intraruminal acaba por ser mais agressivo. Referente à sanidade do gado Adauto salientou que só vai realmente ocorrer se houver controle nos postos de venda de carne, ou seja, nos açougues e frigoríficos, pois é comum a venda de carne sem autorização ou que tem origem em roubos. Ele lembrou que em geral as carnes que são vendidas por um preço abaixo do mercado têm origem duvidosa

Você pode encontrar mais informações sobre a doença da vaca louca é só acessar o site da Embrapa

Chuva de meteoros poderá ser vista em dezembro e Planetas podem ser observados

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Esse texto foi escrito em agosto de 2010 para a disciplina de Jornalismo Especializado

Chuva de meteoros

Chuva de meteoros

Chuvas de meteoros como a que embelezou os céus   do dia 13 de agosto acontecem de forma regular e    anualmente. No mês de outubro acontecerá no dia 21. No mês de novembro será por duas vezes, sendo a primeira na semana que vai do dia quatro ao dia 12, e a segunda no dia 17. Porém essas duas chuvas não terão grande significância para nós, pois acontecerão no Hemisfério Norte do Planeta, contudo a queda de meteoros que ocorrerá no dia 14 de dezembro poderá ser observada, pois ela será muito brilhante. Outro fenômeno interessante de ser observado são os planetas Mercúrio, Vênus, Saturno, Júpiter e Marte, que estão visíveis.

Gilberto Klar Renner, produtor cultural do Planetário, explicou que as chuvas de meteoros que ocorrem em geral não são vistas aqui no Sul, pois elas acontecem sempre no norte do Planeta. Será possível observar a que vai haver no dia 14 de dezembro, já que ela ocorre na constelação de Gêmeos, que é muito brilhante. Esse evento acontece, porque os cometas, que são constituídos de gelo e materiais, ao passarem pela Terra e se aproximarem do Sol perdem a resistência. O gelo e os gases que o envolvem se tornam vapor e acaba deixando rastros de poeira perdidos pelo o espaço.

Quando essas partículas de poeira entram na atmosfera terrestre acabam sofrendo o processo que os cientistas chamam de Ionização. Renner explicou que durante essa etapa as partículas, que em geral tem o tamanho de um grão de areia, ao receberem o calor ficam ionizadas e ganham eletricidade das moléculas da atmosfera. “É por isso que quando ele cai parece ser uma estrela, e daí vem o nome popular de Estrela Cadente”.

Vanessa Carrion, mestre em geografia, com ênfase em astronomia esclareceu que cada fenômeno desses recebe o nome da constelação da qual é origem. A chuva do mês de outubro se chama Ornídeas, pois ela vem da constelação Orion. A que vai acontecer no dia 17 de novembro se chama Leonídeas, da constelação de Leão. Em dezembro teremos a Geminídeas, que tem origem em Gêmeos.

Outro fenômeno espacial interessante de ser observado no céu gaúcho são os planetas que estão alinhados com a Terra. Ao anoitecer Mercúrio, Vênus, Saturno e Marte estão visíveis. Eles se encontram no leste, logo nas primeiras horas da noite. No oeste está Júpiter. Segundo Gilberto só é possível vê-los a olho nu, pois estão próximos do Sol. Mercúrio também está visível, mas por estar muito próximo do Sol e ele ofuscar a nossa visão, só podemos ver o planeta até pouco depois do pôr-do-sol. Esse evento ocorre em geral entre os meses de agosto e setembro, porém eles não são fixos, afinal os planetas são como a Lua e tudo depende da sua rotação.

(O vídeo original da matéria foi retirado do Youtube por isso anexei este novo aqui)


O mercado editorial gaúcho encontra fôlego mesmo em período de decadência

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Este texto assim como o outro foi feito quando eu estava no 2° semestre. Foi escrito provavelmente entre os meses de maio ou junho de 2009. Eu o reescrevi o que diminui bastante o seu tamanho.

A dificuldade está no mercado distante e nas pequenas tiragens

O mercado editorial gaúcho vem decadente há alguns anos. Isso ocorre desde que houve o fechamento das grandes editoras e da migração dos principais autores para o Sudeste (eixo Rio- São Paulo), que possuem uma maior abrangência na distribuição de livros, já que atingem cerca da maior parte do território nacional. Em entrevista coletiva, para os alunos de jornalismo gráfico, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande dos Sul (PUCRS), Ângela Puccinelli, proprietária da editora Fábrica de Leitura falou da dificuldade de manter uma editora no Estado.

Para a editora a maior dificuldade encontrada está no fato do Rio Grande do Sul ficar geograficamente longe do centro do Brasil, o que dificulta a comunicação e a distribuição. Ângela salientou que o mercado não é muito aberto para o sul “não por bairrismos, mas porque o eixo São Paulo- Rio (centrais) torna a entrega dos produtos mais barata”. Segundo ela outro problema enfrentado pelas editoras e o fato do País não possuir um público leitor assíduo.

Questionada sobre o porquê ter uma editora no Estado foi enfática ao dizer que por ser gaúcha não gostaria de abrir uma empresa longe da sua origem. Angela abriu a Fábrica de Leitura há um ano e meio e disse não se arrepender, mesmo que o trabalho exija sacrifícios. Ela afirmou que vai muito para o Rio de Janeiro e São Paulo, pois possui fornecedores nestas duas cidades. A empresária expôs que tem uma equipe de assessoria de imprensa que ajuda a divulgar os livros impressos pela editora. Neste ano a Fábrica de Leitura já publicou 10 títulos.

Sobre a digitalização de livros Ângela salientou que prefere os impressos, pois atingem um maior público leitor. Para ela as pequenas editoras acabam falindo, porque se segmentam demais e perdem talentos. Outro motivo apontado pela empresária é o fato das tiragens no Estado serem muito pequenas o que acaba fazendo com que os grandes autores migrem para um mercado maior.

A juventude é detalhe pra quem ajuda sem cobrar

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Este texto eu escrevi quando estava no 2º semestre de jornalismo, em 2009/1. Minha escrita mudou muito de lá para cá (graças à Deus!). Resolvi postá-lo para poder acompanhar o meu desenvolvimento ao longo dos semestres. 

Banners que Ana distribui para alertar a população sobre os problemas de saúde que atingem a região

“Os anos se passam e com ele a juventude. Quem disse tamanha tolice? A juventude continua em quem quer continuar a vida a velhice é para quem suplica a mesmice. Quem quer o bem do mundo não envelhece, apenas muda de aparência, cria mais experiência. Experiência essa que na juventude declamada não se tem. Quem quer o bem do próximo não envelhece fica com menos medo de ousar.” Assim já dizia o poeta desconhecido, que defendia em alguns versos que a finalidade do homem não é envelhecer e sim ajudar quem precisa dele. Quem se pode dizer que vive com esse verso em sua mente e a podóloga Ana Maia, que divide seu tempo entre a família, o emprego e a ajuda solidária, já que ajudou com que vários projetos voluntários saíssem do papel. Hoje ela faz parte da ONG (organização não governamental) Enfermagem, que tem como slogan Onde a Saúde Começa organização sem fins lucrativos que desenvolve trabalhos sobre a saúde da família junto a comunidades, igrejas e demais instituições sociais, tendo como objetivo informar de forma gratuita sobre questões de âmbito da saúde. Ela e o presidente da ONG o enfermeiro Claudir Lopes da Silva pretendem até o final deste mês de junho implantar o Projeto Sopa, na comunidade onde ela vive.

Ana Maia mora em uma casa de dois andares, na Lomba do Pinheiro, zona leste de Porto Alegre. Ela pretende instalar em sua casa o projeto, já que na última reforma que fez em sua casa, deixou no 1 piso da casa somente a cozinha e uma salinha que atende seus pacientes. Na parte superior da casa há um quarto e uma sala de estar. Ela diz que “Ajudo quem não pode quem não tem. Dizem quem ajuda os outros em geral não pode ajudar a si mesmos. Eu ajudo os outros e não posso ajudar aquele ali do fundo (se referindo ao filho mais novo que mora nos fundos de sua casa) que só pensa em dinheiro e não entende o por que de eu ajudar as pessoas.”

Ana é casada, mãe de dois filhos já adultos e avó de um casal de seis anos, filhos do seu filho mais velho que mora hoje em Esteio com sua mulher. Fala dos netos com o mesmo orgulho que fala dos seus projetos dentro da ONG, em que dá palestras sobre as mais diversas doenças em principal a hanseníase. Ela mostra um jornal, em forma de folheto que explica sobre o projeto, e onde tem uma foto sua dando uma palestra sobre a Hepatite C.

Foram longas as conversas que tivemos, pode-se analisar que quando fica nervosa gagueja ao falar. Enquanto conversávamos veio à tona as mais diversas histórias como a de quando trabalhou durante um ano à noite na cozinha de um hipermercado bastante conhecido na região. Como trabalhava a noite, Ana soltava perto das 5 horas da manhã. Tinha que caminhar um pouco até a parada de ônibus. “Tinha medo de ser assaltada, isso devia ser por volta do ano de 96. Havia m mendigo que dormia perto do mercado e ele me levava todos os dias até a parada e esperava comigo o ônibus. Eu sempre levava para ele a comida que sobrava do mercado e ia fora, só sei te dizer que no final de um ano eu tinha cinco mendigos me levando até a parada.” Ao contar o fato ela ri e diz que quem assalta não é mendigo, mas sim os malandros que querem comprar droga e não tem dinheiro. “Mendigo come o que derem para ele ou o que ele achar, se der dinheiro ele não vai comprar comida e sim bebida, outra coisa, já percebeu que cachorro de mendigo é sempre gordinho? .” Eu apenas ri do comentário. Não sei nem como a conversa foi parar neste rumo. Ela convidará a minha mãe para participar com ela do Projeto Sopa em que minha mãe aceitou o convite. A conversa fluirá bem até que ela resolveu entrar na sua casa. A Flor, a cadelinha de Ana estava aos berros, ou melhor, aos uivos ao perceber que a dona não lhe dava atenção. Ao voltar para a rua Ana já estava com a cadelinha, na colerinha. A Florzinha como chamamos estava de vestidinho e pronta para sair. Ana conta que a carrega por tudo que é lugar dentro de uma bolsa, e quando isso não acontece a Flor quase morre chorando.

“Um dia desses indo pra Novo Hamburgo (onde tem um apartamento) Flor que estava dentro da bolsa resolveu colocar a cabecinha para fora e olhar para a janela do ônibus. Ela avistou um cachorro que estava na rua e começou a latir. Quando o cobrador me olhou escondi a Florzinha e disse que era meu telefone” Telefone! É certo que o cobrador não acreditou muito na história, mas ela passou bem.

Falando do Projeto da Sopa ela falou que nada estava ainda muito definido, mas que já podia adiantar que o publico que gostaria atingir é das pessoas que sofrem de Hanseníase, doença que atinge boa parte da população onde vive. Ela inclusive foi a primeira voluntária da Lomba do Pinheiro (e atualmente a única) que trata da hanseníase, que segundo estudos atinge muito a população daquele bairro, já que é uma doença transmitida pelo ar. Ana Maia ainda salienta que as pessoas que têm a doença não só devem procurar o atendimento médico o mais rápido possível, como também tomar a medicação corretamente, já que a doença quando tratada tem cura, além de não deixar marcas profundas na pele. “Quando não é bem tratada a hanseníase não só pode deixar a pessoa cega, mas também pode em alguns casos levar a pessoa portadora da doença a morte”. Ela fala com entonação do projeto que realiza, dando palestras nos mais diversos lugares, inclusive em ônibus, onde distribui panfletos explicativos sobre a doença. Quando isso acontece o engraçado é que de inicio as pessoas acham que é mais uma pessoa que vai distribuir papel dentro do coletivo, mas quando ela começa a falar da doença e os passageiros se dão conta e logo ficam interessados sendo que alguns chegam até fazer perguntas. O mais engraçado é que as pessoas olham diretamente para as janelas do ônibus e disfarçadamente olham para a pessoa que está ao seu lado, simultaneamente olham para as suas próprias mãos e antebraços.

Ainda sobre o projeto atual ela mostra um porta retrato com fotos suas no próprio consultório que trabalha como podóloga e quando estava fazendo trabalho voluntario no parque Farroupilha, também conhecido como Redenção, no dia da mulher. A sua casa de inicio é bem acolhedora, mesmo que na parte inferior não haja muita coisa. Em frente à porta de entrada há um aquário e fotos dos filhos e dos netos. Na sala do mesmo andar a cartazes fixados nas paredes todos voltados a saúde. Há também vários pezinhos desenhados pela casa.

Ana falou que se interessou em fazer trabalho voluntário, pois assim achou que seria uma forma de pagar as pessoas que a ajudaram na infância e mal a conheciam. Ela relata que a mãe ficou viúva cedo e tinha sete filhos pequenos para criar, as pessoas nunca negaram ajuda mesmo sem conhece – lá direito. Ela lembra que seu primeiro trabalho voluntário foi a mais ou menos 22 anos, onde ajudou a construir uma creche. “Isso foi logo quando me mudei aqui para o Pinheiro, queríamos uma creche e conquistamos uma escola infantil que hoje e referencia no município” .

Essa conquista foi importante não somente para ela, mas para toda a comunidade que hoje cresce e prospera cada dia mais. Quando Ana Maia foi morar na Lomba do Pinheiro a região era pobre e sem condições nenhuma de vida, não tinha saneamento básico e água e luz eram coisas escassas. A localidade crescera muito ao longo desses anos e de certa forma a história de vida desta mulher está ligada à historia do bairro. Não é para qualquer um dividir o tempo entre família, trabalho e bem estar, mas para quem tem a juventude dentro do coração e ama o que faz o tempo não só existe como é infinito.