A tecnologia a serviço do homem do campo

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Rastrear os bovinos é a melhor forma de manter a qualidade do produto brasileiro

A tecnologia está cada dia mais a serviço do homem do campo. Uma plataforma on-line está sendo testada e vai unificar os dados de sanidade animal dos produtores, frigoríficos e vigilância sanitária, tudo para facilitar a exportação da carne brasileira. Neste ponto ainda, chips de rastreabilidade estão sendo fabricados no Rio Grande do Sul dentro dos padrões do gado nacional e logo prontos para a venda.

O chip do boi está sendo desenvolvido pela empresa Ceitec S.A, encontra-se nos últimos testes e ficará apto para a comercialização em 2011. Valquiria Studier Guedes, analista de marketing da empresa, falou que o chip está na fase final da implantação e certificação, sendo que a Ceitec será a única na América Latina a desenvolver esse tipo de material, colocando o Brasil entre os principais países no mundo no desenvolvimento de microeletrônica. “Ele está sendo criado para a pecuária brasileira e atende as suas necessidades”, salienta Valquiria.

O Chip do Boi permite a rastreabilidade das informações sobre os animais de forma eletrônica, eliminando qualquer fator de erro humano na coleta de dados do rebanho. O brinco com o chip acoplado funciona como uma identidade eletrônica do boi e seus dados (como vacinas, nascimento e manejo) fiquem armazenados no sistema desenvolvido para o rastreamento. A analista disse que todos esses dados ficam guardados em um software utilizado na fazenda e podem ser lidos mesmo com o gado em movimento, já que contidos no brinco são enviados para o software por Bluetooth, Wi-Fi ou cabo. Também podem ser lidos através de um leitor ou de um porta/leitor.

Valquiria lembra que quando se iniciaram os testes do chip do boi em Minas Gerais, em novembro do ano passado, houve uma grande repercussão na mídia especializada internacional. Enfatizou que “o evento foi noticiado em sites como Meat Trade News, The Beef Site, The Cattle, RFID Monthly e outros que destacaram a tecnologia utilizada no produto e o quanto o uso desta poderia aprimorar os processos de controle e rastreabilidade do rebanho brasileiro”. Segundo esses veículos o chip é fundamental para a garantia da procedência da carne brasileira.

O foco comercial da Ceitec é o mercado interno, pois o produto se adéqua as necessidades do nosso clima, é mais robusto, porque o gado (principalmente o gaúcho) é criado em campo aberto e também vai ser atendido diretamente pelas equipes da empresa. O valor também contará, pois será menor em relação ao produto externo.

Os chips utilizam o que há de melhor na tecnologia. São produzidos a partir de wafers de seis polegadas de diâmetro. O processo produtivo da fábrica se inicia com os wafers, que são lâminas de silício (um material semicondutor), e termina com a impressão em processos fotoquímicos. Cada um é fruto de uma demanda de 200 etapas diferentes, desde a difusão dos wafers em fornos até a aplicação de íons sobre o chip para a alteração de suas características de condutibilidade. O chip desenvolvido pela Ceitec está dentro de uma cápsula em formato de brinco. Contém todos os dados exigidos para a venda e exportação do gado.

Valquiria Studier Guedes explica que cada circuito integrado e gravado nas lâminas de silício tem a espessura centenas de vezes mais fina que um fio de cabelo. Por isso, desde o design até a sua fabricação e teste, é aplicada alta tecnologia, nunca vista antes no País.

O consultor da Farsul, Fernando Adauto, tornou clara a importância do rastreamento bovino para a produção: “Desde 1990 a Europa começou a exigir que seus produtores rastreassem o gado para controlar a doença da vaca louca. Em 1996 essa obrigação passou a valer também para os fornecedores”.

Adauto explicou que após essa obrigatoriedade o número de exportação caiu. Antes cerca de duas mil propriedades gaúchas eram exportadoras, agora elas totalizam apenas 130. A União Européia depois do surto da doença começou a investir na pecuária, até então escassa. Como aumento do comércio interno os governos começaram a financiar o produtor e não mais a propriedade. Assim passou a obrigar os seus abastecedores de carne a se adequar as normas de sanidade animal adotada por eles.

O programa de rastreabilidade animal do Ministério da Agricultura já teve mais de 30 mudanças, o que segundo o consultor da Farsul atrapalhou nas vendas para o exterior. Foi por causa destas mudanças e dos laudos das inspeções veterinárias que houve uma auditoria por parte do Ministério e da Secretária de Agricultura na legislação. As propriedades só podem ser exportadoras depois de receberem o aval europeu, a partir do organismo três. O Brasil conta com nove estados que produzem gado de corte para venda na União Européia.

Pela nova legislação o brinco com chip acoplado vai ser obrigatório para as fazendas com mais de cinco mil animais. A utilização desse tipo de rastreabilidade está sendo testada em bovinos criados em confinamento. Esse sistema é mais garantido do que os já existentes. Tanto o brinco óptico com números e o brinco com o código de barras muitas vezes atrapalhavam a leitura da numeração que causava problemas na obtenção de informações.

Fernando Adauto, também é representante na comissão técnica da SISBOV (Serviço de Rastreabilidade da Cadeia Produtiva de Bovinos e Bubalinos), que consiste na certificação de uma série de ações para garantir a origem, a sanidade e a segurança do alimento proveniente do gado brasileiro. A partir do sistema, é possível fazer a rastreabilidade da cadeia da carne, desde o campo até o frigorífico, garantindo a qualidade do produto para o comprador.

O consultor informou que estão prestes a colocar no ar uma plataforma on-line que vai unificar os dados da secretária da agricultura, da SISBOV e da inspeção veterinária (produtores, frigoríficos e vigilância sanitária). O projeto já foi concluído e depende de algumas mudanças no sistema de defesa. Foi baseado na inspetoria veterinária, que por vezes fornecia dados que não batia com os da SISBOV. Adauto disse que “as inspetorias informatizadas já atingem 96% o que aumenta a expectativa dos produtores em relação à automatização e o aumento das vendas para o mercado internacional”. A plataforma funcionará totalmente on-line e está em fase de testes.

O Fernando Adauto garantiu que o brinco com chip é melhor em relação aos outros dois tipos de rastreadores informatizados. O que vai por baixo da pele do animal, pode caminhar pelo corpo e causar alguns problemas, já o intraruminal acaba por ser mais agressivo. Referente à sanidade do gado Adauto salientou que só vai realmente ocorrer se houver controle nos postos de venda de carne, ou seja, nos açougues e frigoríficos, pois é comum a venda de carne sem autorização ou que tem origem em roubos. Ele lembrou que em geral as carnes que são vendidas por um preço abaixo do mercado têm origem duvidosa

Você pode encontrar mais informações sobre a doença da vaca louca é só acessar o site da Embrapa

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2 comentários sobre “A tecnologia a serviço do homem do campo

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