Rádios comunitárias a identidade de um bairro

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Texto escrito para a disciplina de Redação e Produção em Revista 2011/2.

Nem temporal nem déficit de caixa. Rádios comunitárias superam-se e mantém vínculo de amizade com seus ouvintes.

Por Bruna Santos de Souza.

Em um pequeno estúdio improvisado dentro de uma sala comercial, que capta os sons da rua, comunicadores põem uma rádio comunitária no ar, diariamente, das 7h às 23h. O telefone toca mais uma vez. “Bom dia seu Flávio, estava morrendo de saudades. Como eu te amo, te amo. Amo todos vocês da rádio, amo mesmo!” Essa é a fala de dona Maria, 88 anos, ouvinte assídua da 87.9 FM, rádio comunitária do bairro Lomba do Pinheiro, zona leste de Porto Alegre. O público da rádio não se restringe a senhoras idosas como Maria, também envolve comerciantes e moradores do bairro, Restinga e algumas partes do Município de Viamão. O carinho recebido pelos comunicadores é resultado de um trabalho realizado há nove anos por 14 voluntários coordenados por Flávio Cassal, sargento da reserva do Exército e atual diretor da 87.9 FM.

A rádio comunitária Lomba do Pinheiro começou a partir de uma sugestão recebida por Cassal de um advogado que prestava serviços jurídicos aos moradores do bairro. Na época, o diretor era colaborador do jornal Rota do Trabalhador, que circulou na região mensalmente, por oito anos. Depois da recomendação passou a reunir a documentação necessária para pôr a emissora no ar. Em 2002 aconteceu a primeira transmissão. Segundo Flávio Cassal, o número de ouvintes tem crescido gradualmente. Em junho de 2009, a audiência na parte da manhã atingia 102 pessoas, e no mesmo período de 2011 totalizou 156. No ano de 2010 o público chegou a marca de 1663 ouvintes. A contagem é realizada pelo diretor que anota todas as ligações recebidas pela rádio durante a transmissão dos programas e a partir desta faz a contagem mensal, semestral e anual. De acordo com dados de audiência da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, a rádio comunitária totaliza 5% da audiência matinal da capital gaúcha.

A 87.9 FM presta serviços de divulgação local, como venda de objetos, projetos das associações de moradores e até mesmo busca por pessoas e animais desaparecidos. “Já encontramos pessoas que haviam sumido, unimos casais e ajudamos quem necessita” explica Cassal. A rádio sobrevive de doações feitas por um grupo de comerciantes locais conhecidos como sócio-colaboradores.

Durante um temporal em maio de 2011 um raio atingiu a rede elétrica da região, o que ocasionou a queima do processador de áudio e de seis botões da mesa de áudio. Os aparelhos demoraram algumas semanas para serem consertados, mesmo assim a programação continuou no ar porque a mesa de áudio foi ligada diretamente no transmissor. “O áudio ficou ruim, mas não podíamos ficar fora do ar”, justifica. Para Cassal, a rádio comunitária é de extrema importância, pois e a voz local. “Aqui o bairro tem uma atenção especial, o que não acontece em uma rádio como a Farroupilha ou a Guaíba.

A programação é composta por um programa diário de informações comandado por Flávio Cassal, que além de divulgações de acontecimentos locais e música também realiza a leitura das principais notícias, horóscopo e informações da dupla Gre-nal que saem no jornal Diário Gaúcho. Os demais programas diferenciam-se, mas em geral são de musicais e variam o estilo. Além destes as diferentes religiões também tem espaço na rádio. Estudantes de psicologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) quinzenalmente vão até a 87.9 FM para prestar aconselhamentos à população local.

A programação é mantida por 13 voluntários que se revezam para não deixar a rádio comunitária sair do ar. Rocha, como gosta de ser chamado, é um dos comunicadores. Morador da Lomba do Pinheiro há 35 anos tornou-se voluntário da 87.9 FM em 2007, por gostar muito de comunicação. Antes de tornar-se locutor participava da programação da rádio como ouvinte, pedindo músicas e informando sobre acontecimentos locais. “É gratificante. Ajudamos quando podemos, conversamos, aconselhamos e damos risadas junto com os ouvintes, não temos público e sim amigos”, comenta.

Mesmo que a programação seja inteiramente voltada a população da Lomba do Pinheiro, quem faz mais sucesso é o personagem Mudinho, um boneco com cabeça de esponja acompanhado por dois periquitos cantantes. O boneco foi presente de um ouvinte e é ele que leva a culpa quando algo sai errado na rádio. Durante um dos programas Flávio Cassal, que estava na locução, acabou colocando a música errada e brigou com o Mudinho, imediatamente vários ouvintes ligaram para a rádio e pediram para ele não xingar mais o boneco.

A importância da comunicação comunitária para os bairros

Atualmente Porto Alegre, segundo a Associação de Rádios Comunitárias (ABRAÇO), existem sete rádios comunitárias legais, ou seja, que funcionam de acordo com a lei federal 9.612, de 1998, outras cinco funcionam ilegalmente. A 87.9 FM foi a primeira da capital gaúcha a funcionar de forma legal.
As rádios comunitárias como a da Lomba do Pinheiro são de extrema importância para as comunidades por serem locais e descreverem não apenas o que acontece na localização como também os problemas que afligem os moradores e as suas soluções. Neka Machado, professora de comunicação na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) destaca a necessidade deste tipo de comunicação para os bairros, pois “é um local de educação e aprendizagem, focado na vivencia daquele ambiente”. Neka explica que é necessário que as rádios comunitárias sejam autônomas para evitar que oportunistas tomem conta deste tipo de comunicação que respeita os diferentes posicionamentos e ideias. Ela lembra que evitando as pessoas mal-intencionadas evita-se que todo o faturamento da rádio vá para uso pessoal e não para o meio de comunicação e interação de uma população.

Foto da publicação impressa 

Foto: Bruna Souza

Foto: Bruna Souza

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