Crescimento urbano ameaça Mata Atlântica no Rio de Janeiro

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Lagoa Rodrigo de Freitas, Rio de Janeiro./ Foto: Divulgação

Publicado em 4 de junho de 2012

O Rio de Janeiro como diz a música continua lindo, principalmente porque é uma das poucas capitais brasileiras que ainda mantém parte da quase extinta Mata Atlântica, mas essa beleza de tons naturais pode estar com os dias contados. Pelo menos é o que mostra um estudo realizado pela Prefeitura Municipal do Rio. Com o avanço das favelas e o aumento da especulação imobiliária o cenário verde aos poucos tem sido alterado. Nos últimos 30 anos a cidade perdeu pelo menos 6,7 mil hectares de cobertura vegetal. De 39.802 hectares, em 1984, restavam 33.008 hectares em 2001, último dado disponível, o que representou uma perda de 17% de área verde.

Os dados podem ser conferidos no site Armazém de Dados, no link Estatísticas. Com a diminuição de suas áreas verdes, o índice de vegetação por habitante caiu ainda mais: em 1984 o carioca dispunha de 76,11 metros quadrados de cobertura vegetal por habitante, número que despencou para 56,28 metros quadrados em 2001, uma queda de 26%.

Mesmo que a cidade ainda disponha de alto índice de área urbana por habitante – cinco vezes superior ao mínimo sugerido pela Organização das Nações Unidas (ONU), de 12 metros quadrados por pessoa – a vegetação não é igualmente distribuída na região urbana. Enquanto alguns bairros próximos a Floresta da Tijuca têm 78% de cobertura vegetal, bairros da zona norte têm apenas 6,5% de cobertura verde, como a Penha, onde estão localizados o Complexo do Alemão e da Penha, em que a taxa de urbanização chega a 93%.

Enquanto a área natural diminui, o número de imóveis em favelas e as construções de edifícios e casas  crescem significativamente. De acordo com o estudo da prefeitura carioca, da área total da cidade, calculada em 122.456 hectares, a área urbana passou de 33.749 hectares, em 1984, para 42.023 hectares, em 2001, representando um crescimento de 24%.

Para a diretora de Gestão do Conhecimento da Fundação SOS Mata Atlântica, Márcia Hirota, o que ocorreu no Rio nas últimas décadas é um retrato do que aconteceu nas demais capitais e grandes cidades do país. Segundo ela, o esforço de muitas prefeituras com políticas de reflorestamento e retirada de invasores ainda é pouco diante do tamanho do problema. “Apesar de haver esforço de muitas prefeituras em combater esses desmatamentos, com políticas de reflorestamento e retirada de invasores, as ações ainda estão abaixo do necessário. É uma situação complicadíssima no País todo, envolvendo falta de gente e estrutura para fiscalização”, explica.

A diretora do SOS Mata Atlântica considera que falta planejamento às prefeituras para se antecipar às invasões de áreas verdes. “O Poder Público está sempre atrasado, vai lá para multar ou combater um dano que já ocorreu. Não consegue fazer um trabalho de monitoramento para que a coisa não aconteça”, disse.

Como consequência disso, Márcia Hirota aponta as tragédias ambientais, que acometem milhares de famílias todos os anos, atingidas por enchentes e deslizamentos a cada período de chuva. “As ocupações e invasões ocorrem em áreas inadequadas, não só em capitais, mas em qualquer cidade. Aí quando acontecem deslizamentos e inundações, com perdas de vidas, a gente fica lamentando. Mas a culpa é do Poder Público, que não faz esse planejamento e não retira as pessoas em áreas impróprias, que a legislação não permite. Aí quando acontece uma tragédia, todos ficam indignados”, ressaltou.

Para a ambientalista, a saída é a participação da sociedade, pressionando as autoridades e apontando desrespeitos ao meio ambiente. “É preciso o cidadão denunciar casos de agressão à natureza, em um esforço coletivo. É mais barato evitar que as pessoas ocupem áreas inadequadas do que fazer um trabalho posterior para recuperar a natureza”, alertou.

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