“Vale muito a pena trabalhar duro”, diz Elaine Gomes

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Elaine quer medalhar na EHF Cup/ Foto: página da atleta

Aos 14 anos, Elaine Gomes começou a sua trajetória no handebol, indo morar em Santa Catarina (BRA) para lá jogar. Hoje, Elaine, com 24 anos, atua no Kastamonu Belediyespor, clube da Turquia. Acostumada a levantar títulos desde a base, já que além de conquistas de campeonatos estaduais e da Copa do Brasil, ela tem no currículo a conquista do Pan-Americano Cadete, Juvenil e Júnior, também no Pan-Americano Feminino Adulto. Nos clubes europeus que jogou também conquistou títulos. Mas o mais importante, sem dúvidas, conquistado até agora foi o Mundial de 2013, quando defendeu a Seleção Brasileira. Mesmo com esse forte portfólio, Elaine passou seis meses sem clube, antes de defender o time turco. A atleta não se abateu, seguiu acreditando no seu potencial e treinando. Deu certo, Elaine estreou na equipe com conquista da Super Cup. E ela quer mais: conquistar a EHF Cup, a Champions League e medalhar nas Olimpíadas. Nós conversamos com a jogadora e ela nos falou sobre a carreira, as conquistas e os objetivos. Confira:

Dois Minutos: Conte para os leitores como começaste a tua carreira como atleta de handebol?

Elaine Gomes: Bom, a minha carreira de Atleta Profissional começou quando eu saí de casa aos 14 anos sozinha e fui atrás dos meus sonhos em Criciúma no ano de 2007. Foi onde tudo começou, a vida sem os pais, sem a minha cidade, amigos e foi uma das melhores coisas que aconteceram na minha vida.

Foi um turbilhão de sentimentos bons de ter, ver e viver numa estrutura com um ginásio oficial, academia, vários campeonatos e um salário só para jogar handebol.

Dois Min: Campeã Mundial pela Seleção Brasileira, além de ter no currículo Pan-Americano, Sul-Americanos, títulos conquistados com a Seleção desde a base. Elaine qual os quais os títulos que ainda sonhas em conquistar?

Elaine: A curto prazo é medalhar agora na EHF CUP. Uma competição que atualmente estou jogando e é a segunda mais importante de clubes do mundo. O segundo é jogar uma Champions League que é o maior campeonato de clubes do mundo, o terceiro seria ganhar todos os títulos citados acima, mas estando dentro das quatro linhas, jogando e sendo importante. O terceiro e a longo prazo é jogar uma Olimpíada e ser medalhista. O individual e pessoal é aproximar a minha performance cada vez mais em relação as melhores do mundo.

Dois Min: Como foi enfrentar o período sem clube? Foi o pior momento da tua carreira?

Elaine: Foram seis meses duros e de muito trabalho, mas não foi o pior momento da minha carreira, pelo contrário, foi um dos mais desafiadores, motivadores e de um crescimento pessoal sem tamanho. Eu relembrei e busquei as minhas raízes, a minha nova identidade e voltei a enxergar o quanto a Elaine era forte e determinada.

Vivia para treinar, aceitava as condições e vivia um dia de cada vez. Toda vez que eu pensava desanimar eu colocava uma boa música e ia treinar alguma coisa. Isso é verdade! Foi um casamento fiel e cheio de amor durante seis meses e todos os dias.

Tive a oportunidade de ter um Coaching, aprendi a me organizar e planejar, tive um Personal e técnico individual que me matava diariamente, tive uma Nutricionista, tive um Psicólogo, ainda treinava em uma das melhores academias/clubes de Fortaleza, que foi a Ayo Fitness Club. Enfim, tive uma força tão grande dentro de mim que quando paro pra lembrar de tudo dou um sorriso de alegria e fico com a sensação de que tudo valeu a pena. Na minha terrinha foi onde eu me preparei e consegui ter a sensação de Europa na AYO Fitness Club. Mesmo sem ter certeza alguma do que ia vir, eu treinava como se amanhã (o outro dia) fosse o dia que eu ia embora, e assim foi por seis meses até chegar o e-mail do meu manager com as propostas. Foi muito especial! Merecia ter textão (risos).

Dois Min: No ano passado estava com um mês no Kastamonu Belediyesi quando aconteceu a conquista do campeonato nacional. Como foi essa estreia dourada no clube turco?

Elaine: A Super Cup foi legal, mas como joguei poucos minutos não foi mais especial. Estava a pouco tempo na equipe e o técnico não me conhecia muito bem, estava naquela fase de ter a confiança primeiro das meninas e isso se leva tempo. Mas foi muito divertido viver esse momento e chegar com o pé direito.

Dois Min: Elaine como foi a tua adaptação ao Kastamonu e a Turquia?

Elaine: A minha adaptação foi tranquila, um pouco diferente do que já vi e vivi, mas na sabedoria e paciência que o meu momento de mostrar o meu trabalho e jogar o meu handebol ia chegar. Que foi pra isso que vim para a Turquia. A Turquia é linda, quero e tenho muitos lugares que desejo conhecer e planejo viagens. Fora a comida que é bem gostosa. E eu aaaamo comer! (risos).

Dois Min: Nesse começo de EHF CUP o time que defende está muito bem, líder do Grupo C. Qual o planejamento da equipe para essa temporada e para essa competição? E tu, como espera ajudar a equipe a chegar aos objetivos?

Elaine: A nossa meta na EHF CUP é ir para as semis, mas nós sabemos que será uma luta a cada jogo. Eu Elaine, quero medalha (risos).

Já na Liga Turca estamos na luta de conseguir levar o Bi Campeonato, após perdermos dois jogos no primeiro turno, agora precisamos ganhar tudo para o nosso plano se concretizar. E ter bom saldo para se precisar. Eu estou compenetrada nos nossos objetivos. Motivada e trabalhando para quando o técnico me chamar eu dar o meu melhor e trazer bons resultados pra nós.

Dois Min: Acredito que já saibas da punição sofrida pela Federação Pan-Americana de Handebol, no qual houve o risco de que seleções e times das Américas não poderiam competir internacionalmente, num primeiro momento. Isso é algo que te preocupa de alguma forma? Já teve a oportunidade de conversar com outros atletas sobre esse assunto?

Elaine: Hoje o mundo vive com muitos conflitos e problemas, né?! Em todas as áreas. Mas como sou sempre do copo mais para o cheio, sou positiva e acredito que isso vá ser resolvido do melhor jeito possível. Assim eu penso e espero. E não, não tive a oportunidade de falar com ninguém sobre.

Dois Min: Aos 24 anos a jogadora já pensou na aposentadoria ou esse assunto não preocupa e deixará para pensar lá no futuro bem bem distante?

Elaine: Não pensei e não penso ainda quando será, tenho que pensar em treinar e treinar e treinar porque ainda sou bem jovem para pensar nisso (risos). Mas os planos para ter uma renda e vida financeira sem o handebol, isso sim, eu penso e planejo porque a gente nunca nunca sabe o que pode acontecer.

Dois Min: Do que sente mais falta do Brasil?

Elaine: São muitas coisas hein! De dar um abraço na minha mãe de boa noite e de acordar ouvindo a rádio e descer pra ver ela cantando e sorrindo pra mim dando bom dia. Dos almoços em família com todos os primos e tios reunidos fazendo aquele barulho. Das risadas e momentos com os meus melhores amigos. E do mar, aaaaah, como eu sinto falta do mar, mas também da minha Igreja. São os dois lugares que me sinto em presença direta com Deus.

Dois Min: Tua frase preferida (assim está na tua página) é “Quem acredita sempre alcança”. Para encerrar, mesmo em meio a crise que o esporte vive, que mensagem deixa para os atletas e para os futuros jogadores.

Elaine: Essa frase me descreve totalmente. Eu amo! O que vou deixar para todos os atletas é que vale muito a pena trabalhar duro, dizer não, treinar, cansar, treinar, cansar e não desistir, porque as melhores coisas da vida são as coisas que não desistimos. Uma hora ou outra tudo se acerta. É só persistir, profetizar e trabalhar.

No train, no gain.

Boa sorte a todos(as) e vão em busca do sonho de vocês com coragem e amor.

~Escrita por Bruna Souza, para Dois Minutos Handebol, em 4 de fevereiro de 2018. Confira o original aqui.~

Espanha é campeã da EHF Euro Croácia 2018!

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No último domingo de janeiro, dia 28, a Europa conheceu o seu campeão de handebol masculino. Na decisão entre Espanha e Suécia fizeram um jogo intenso em que as defesas foram o destaque e o responsável pela vitória espanhola, que pela primeira vez conquistou o título continental.

Durante 12 a 28 do mesmo mês fiz a cobertura da competição para o blog Dois Minutos Handebol, a segunda principal do mundo envolvendo seleções. Além disso, a decisão do título foi coberta em tempo real pelo Twitter do Dois Minutos, encerrando com a crônica do jogo. Essa última poderá ser lida abaixo ou clicando aqui.

Espanha é campeã da EHF Euro Croácia 2018!

Depois de esbarrar em três final, a Espanha conquista a Europa!/ Foto: Real Federación Española

A Espanha é campeã da EHF Euro Croácia 2018! Na final realizada neste domingo, 28 de janeiro, na Arena Zagreb, na capital croata, a seleção espanhola encarou a seleção sueca, numa partida que incendiou a torcida que lotava o ginásio.

O jogo começou intenso, com a bola sendo disputada segundo a segundo. O confronto mal tinha começado e os espanhóis já tinham balançado as redes, abrindo o marcador. Não demorou, porém, para os suecos também marcarem (1-1). Nos minutos iniciais a Espanha era melhor, tinha no ataque a agilidade suficiente para conseguir manter a equipe a frente. Contudo, a Suécia conseguiu corrigir as falhas e atacou forte, e mesmo com um 7 metros bem convertidos para os rivais, não se abalou. Pressionou tanto, que aos 10’35” conseguiu enredar os espanhóis, viraram o jogo e abriram três gols de vantagem. Jordi Ribera percebeu o baixo desempenho dos espanhóis pediu tempo técnico e na conversa com os atletas solicitou o “um contra um”. A Espanha tentou, nos contra-ataques diminuir a vantagem, mas a Suécia seguia dominando (8-6).

A Suécia dominou a primeira etapa/ Foto: EHF

Os suecos dominavam o confronto, com boas ações de ataque e uma defesa que estava impecável, se recuperava rápido, bloqueava as ações dos espanhóis e tinham ótimas defesas do goleiro Mikael. Mas aos 24′ a Espanha voltou a reagir e pouco tempo depois encostou no marcador (11-12). Toda via, a Suécia estava disposta a vencer e voltou a marcar e a abrir vantagem. Placar Parcial: ESP 12 x 14 SUE.

Na etapa complementar, a Espanha entrou em quadra dominando. A defesa fechou-se e o ataque foi para cima. Aos 5′ os espanhóis conseguiram empatar, viraram o jogo e abriram dois gols de vantagem (16-14). A partir daquele momento, os suecos não conseguiam reagir, tinham espaços na defesa, eram lentos na recomposição, contra-atacavam bem, mas esbarravam na fechada defesa da Espanha.

Os espanhóis pintaram o continente de vermelho, amarelo e azul/ Foto: print

Ao decorrer do segundo tempo, a Espanha não demorou para ampliar a vantagem, a Suécia melhorou no jogo. Trocava bem os passes, não perdia as bolas, contra-atacava, pressionava, ia para cima, mas errava nos arremessos a gol. Não conseguia converter os lances em gol. Era essa a principal fragilidade dos suecos. Nem mesmo quando os espanhóis estavam sem arqueiro, em virtude do goleiro-linha, conseguiram aproveitar todas as oportunidades de balançar as redes. Uma das vezes, a Espanha tinha perdido um gol, no ataque os suecos que correram e foram para a parte defensiva espanhola, que estava sem goleiro. Alex conseguiu ser mais rápido e quase dentro da goleira, espalmou a bola para fora, impedindo o gol sueco. Mas claro, quando a Espanha teve outro goleiro-linha, a Suécia aproveitou e arremessou do meio da quadra. Acertou a rede. Nos últimos minutos, o embate seguia intenso, com a Espanha defendendo bem, atacando sempre que possível e com a Suécia tentando chegar ao gol. Mesmo marcando mais vezes, os suecos não conseguiram segurar os espanhóis que acabaram o encontro com a vitória, o título e a vaga para disputar o Mundial 2019. Placar Final: ESP 29 x 23 SUE.

O goleiro espanhol, Arpa, foi considerado o melhor jogador da partida. A artilharia da final foi compartilhada entre Ferran Solé e David Balaguer, Espanha, e entre Jesper Nielsen, da Suécia, com 5 gols cada.

Após o enceramento da partida, Raúl Entrerrios, o camisa 9 da Espanha, falou sobre a conquista:

“É uma situação incrível, difícil de definir. Nós trabalhamos muito para isso. É um prêmio para toda equipe”.

França conquista o bronze

Franceses colocaram a medalha no pescoço/ Foto: print

Antes da grande final aconteceu a disputa pelo bronze. França e Dinamarca estavam na briga pelo terceiro lugar do campeonato. Ambas seleções tinham defesas bem armadas e ataques rápidos. O jogo foi disputado do início ao fim, com boas trocas de passes, bons arremessos e boas defesas. No primeiro tempo, os franceses conseguiram ser mais efetivos, abriram dois gols de vantagem e seguraram os dinamarqueses (17-14). No segundo tempo, no entanto, a Dinamarca foi para cima e também não deu muito espaço para a França, que só conseguiu se manter a frente graças a diferença criada no início. Vitória e bronze para a seleção francesa. Placar Final: FRA 32 x 29 DIN.

*Publicada originalmente em 28 de janeiro de 2018.