Porto Alegre: A noite da diversidade

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Capa do jornal LAB

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Porto Alegre: A noite da diversidade é uma reportagem escrita por mim e por Tábata Machado no nosso primeiro semestre de faculdade, em 2008/2. O jornal é resultado de uma das atividades propostas na disciplina de Laboratório em Jornalimo, da Famecos.

O impresso teve textos produzidos em grupos e as aulas eram dadas pelos professores Eduardo Pellanda e Cláudio Mercio.

A reportagem Porto Alegre: A noite da diversidade fala sobre as festas noturnas ocorridas na capital gaúcha, que abraçam os mais diferentes tipos e estilos de pessoas. Leia aqui Porto Alegre: A noite da diversidade

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O efeito Cinderela

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Por Bruna Santos de Souza.

Era uma vez uma menina muito meiga chamada Cinderela. Ela morava com a madrasta e as duas meias irmãs, que a maltratavam e a obrigavam fazer os serviços domésticos. Um dia o príncipe do reino resolveu fazer um baile para encontrar a moça que seria a sua esposa e futura rainha. Todas as moças do reino ficaram animadíssimas e se preparavam para o tal baile. Chegado o dia a madrasta e as irmãs de Cinderela estavam prontas para sair para o baile, quando a madrasta a proibiu de sair de casa e lhe deixou trancada. Muito triste Cinderela chorou de tristeza ao ver o seu sonho de conhecer o “seu” príncipe ir por água a baixo. Eis que surge a fada madrinha que com seus poderes mágicos transformou os trapos de Cinderela em vestido belíssimo, uma abóbora em carruagem e ratos em cavalos e cavalheiros. A moça assim foi ao baile e a única condição era que voltasse para casa até a meia-noite. Lá no baile ela encantou a todos e principalmente o príncipe que com ela dançou a noite toda, até bater a meia-noite e ela sair correndo até perder um de seus sapatos, que eram de cristal.

O príncipe a procurou o reino todo até encontrar e sua amada, casar com ela e viver felizes para sempre.

O efeito Cinderela, ou melhor, efeito contos sempre termina assim “Casaram e foram felizes para sempre”, seja na Bela Adormecida, Branca de Neve ou em qualquer outro conto, em que a mocinha em questão é sofrida e acaba encontrando no príncipe, que por acaso é belo, a salvação da sua vida. Casaram e foram felizes para sempre. É sempre assim que as histórias que escutamos quando crianças acabam. Logo criam no imaginário a certeza que só encontrando o príncipe ou a bela princesa é que estaremos completos e encontraremos a felicidade eterna. Crescemos acreditando que isso é possível e que somente ao lado de alguém é que seremos realizados. A sociedade de maneira geral acredita muito nisso, mas questiono será que existe fórmula para a felicidade, será que só casando com a perfeição em pessoa é que atingiremos a alegria eterna? Somos incapazes de sermos perfeitos, somos seres cheios de defeitos e manias, as vezes incompreensíveis ao outro (até a Cinderela tinha defeitos). Contudo seria mesmo que o final dos contos o exato para vivermos felizes? É bem provável que não, não dá para ser feliz o tempo todo, as coisas ruins que acontecem nas nossas vidas, apenas para que aprendêssemos o quanto é bom viver e para aprendermos a dar valor aquilo que nos é nosso. Fora que a vida é uma caixinha de surpresa e se não fosse não teria graça nenhuma.

A nossa sociedade cree que o final dos contos de fadas seja o ideal, pois é mais fácil e tradicional viver assim, nós de maneira em geral sempre quisemos ser nem que por um instante uma princesa ou um rei das histórias infantis, isso já está dentro de todos nós, mora no nosso imaginário, que sim existe dentro de todo o mundo, só que as pessoas que não sabem expô-lo, todo mundo tem uma vasta imaginação.

Não podemos esquecer que os contos de fadas em sua maioria, assim como as fábulas e a sua moral da história foram criados em uma época em que se ensinava através de estórias e cantigas. Eram delas que saim as virtudes do homem, os seus defeitos, como ser uma pessoa de bem e como atingir a perfeição e a felicidade para todo o sempre. Tanto que se fomos analisar os contos nas entrelinhas, todos eles ensinam e passam uma mensagem.

O fato, porém é que mesmo que os contos ensinem algo, eles não podem ser considerados a única forma de se viver. Todos nós podemos ser felizes sem ter de viver com outra pessoa, apenas pelo fato de esta ser única forma viável de felicidade. Há pessoas que ficam frustradas após casamento, outras se deprimem porque se não encontrarem a alma gêmea jamais serão felizes. Moral da história: mesmo que a sociedade não esteja preparada para mudanças, o fato é que não há fórmula para a felicidade.